O Primeiro dos três clássicos que vou apresentar no BLOG é uma peça teatral, uma tragédia alemã escrita por Franz Wedekind em 1891. E também foi uma grande influencia para os posteriores romances europeus, inclusive para o segundo clássico que apresentarei aqui.
O Despertar da Primavera é ambientada em uma sociedade extremamente repressora e composta por personagens medíocres como ser humanos e cheios de duvidas e falhas. Exatamente o que dá uma identidade mais verossímil às personagens da trama. 
Essa sociedade rígida a princípios moralistas e demagógicos em contraste com os jovens perdidos e revoltados desenvolve umas das melhores e mais tristes tragédias que já pude acompanhar.
Demonstra com habilíssima sutileza como é perigoso ser um livre pensador e também que a ignorância, truculência e mentira com a juventude só pode acarretar maus frutos.
O historia gira em torno de um grupo de garotos que não sabem nada ou muito pouco são impedidos de confrontar suas duvidas e medos com qualquer um que não seus mais fiéis amigos. Estes que sabem tanto quanto eles próprios. E neste circulo de ignorância mutua observamos o nascimento de dor, sexualidade, covardia, patifaria e principalmente sofrimento.
A Peça que é muito licenciosa e traz a fundo uma melancolia suprema é um retrato de uma sociedade ultrapassada e que tem medo de si própria. Com o decorrer da trama você percebe que não só eles são ignorantes, mas também todos os adultos que o cercam, sendo repressores por não quererem que os filhos lhes façam aquelas perguntas que eles mesmos não saberiam responder. E até mesmo respostas simples são vistas como coisas de um verdadeiro mal feitor. Apenas repetem as atitudes dos pais.
Essa combinação trágica de repressão adulta e duvidas adolescente dá o tom a todo o texto hiper melancólico de O Despertar da Primavera, é impossível ficar indiferente. Talvez fique é triste.
Com essa onda Funk, a Internet e a banalização do sexual a peça poderia até parecer ultrapassada, afinal temos crianças que podem até lhe explicar o caminho do espermatozóide até o óvulo, mas; Observando de um ponto de vista mais atual, pode-se transcender as duvidas que não existem mais e observar o mesmo modo repressor na nossa sociedade atual.
Os pais que ou escondem suas filhas dos outros garotos ou a Tv que tentando ser moderninha acaba inventando modernos contos da cegonha.
Para exemplificar isso temos a personagem Wendla que não tendo uma duvida sua esclarecida pela mãe (como se fazem os bebês), acaba sendo estuprada justamente pelo único personagem capaz de fugir desta ditadura mental e indagar a sociedade. Isso mostrasse trágico de duas formas.
Primeiro, a mãe que acusa sua filha de traição não ensinou e pior, fantasiou o ato sexual com o conto da cegonha. E quando a filha disse que não havia feito nada de errado ela estava dizendo a verdade, afinal ela não tinha pedido bebê algum para a cegonha ( ao contrario dos atos cientes, executados pelas funkeiras do Brasil afora.
Segundo, mesmo aquele que consegue pensar e romper esse concreto pseudo-intelectual e politicamente correto que cerca TODAS as gerações, mesmo sendo um pensador livre, ele ainda é um ser humano. Refém dos impulsos, refém das duvidas, dos sonhos e passível a erros que a nós parece tão grosseiros que não é possível comete-los. Acima de tudo expõe a natureza humana que não pode ser dividida ou classificada como o bem e o mal.
Talvez não haja classificação para coisa alguma, mas é do ser humano ter de, classificar para assim aprender e todas as comparações tem de ter um elemento comparativo e infelizmente (ou não) esse elemento é sempre decidido pelo vencedor, ou o mais poderoso, ou inteligente, ou cruel ou como queira chamar. A verdade é que existem para tudo vários ângulos e nós só vemos de um deles.
Vale muito a pena ler essa peça brilhante, uma verdadeira critica a sociedade totalitárias e que restringem os pensamentos aos seus conceitos de moral.
Talvez seja errado matar, mas jamais será errado indagar o porquê não, ou qualquer outro por que. Você não só deveria, como deve sempre conhecer o processo e não só a resposta. Ou você nunca poderá resolver só seus próprios dilemas.
Lembre-se, Se você souber como funciona a matemática você poderá fazer seus próprios cálculos, ao invés de só decorar a tabuada.
E para finalizar, deixo disponível uma das adaptações, já que existem muitas. E também uma musica do musical “O Despertar da Primavera” que é apresentado no Brasil. Está musica aos mais desatentos pode parecer boba ou então “zueiristica”, mas, se você tiver sensibilidade o suficiente para captar a beleza e a arte nesse verdadeiro depoimento sexual, vai sentir a pureza suja da juventude.
Exatamente como diz a letra, o meu grito em silêncio.
Vai lá
ResponderExcluirOk, eu admito. A imagem da cocota linda ali me deu mais vontade de ler, mesmo eu sabendo que não tem nada a ver com o livro em si. Mesmo assim, excelente resenha - Se eu estava com vontade de ler, agora estou com muito mais. Pena eu não ter tempo. Atualmente, ou estou disperdiçando tempo no PC ou estou estudando, então né.
ResponderExcluirNa verdade a cocotinha é uma atriz em cena. A peça é justamente O Despertar da Primavera.
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