terça-feira, 12 de outubro de 2010

Reino de São-Ninguém


Em um reino não tão grande e nem tão distante, que vivia a sombra de um reino um pouco maior e um pouco mais distante, reinava o príncipe sapo. Este príncipe que já era Rei há muitos anos, mas que não queria se chamado de Rei para não se sentir velho, governava com sabedoria e oportunismo.

Este reino chamava-se Reino de São-Ninguém. Enquanto seu vizinho maior e mais rico era chamado de Reino de São-Everybody. O Rei de São-Everybody era mais forte, mais poderoso e mais déspota que o Rei de São-Ninguém. E para que todos soubessem da sua fama e poder inatingíveis, obrigava aos Reis dos reinos vizinho a usar nomenclaturas de outra ordem.

Além do Reino de São-Ninguém que era governado pelo príncipe sapo, ainda existia o Reino de Um-pouco-mais-pra-lá governado pelo sultão Leão e o Reino de Bonitinho-e-Ordinario governado pela Duquesa Devassa.

E estes reinos apesar de chamados co-irmãos não se misturavam, e mais, odiavam-se com toda a força possível. Os Ninguéns insistiam em dizer que depois de Everybody eram os melhores, enquanto os Bonitinhos diziam que não tinham água potável no reino, mas tinham belos bosques enquanto os que moravam mais pra lá nada comentavam, apenas remoinham invejas.

Este é o cenário político que a nobre monarquia de Ninguém teria de agüentar para dar um governo justo a seu povo. Porém, todo o mês era preciso que os cachorros, guardas reais, interviessem contra humanos revoltosos. Como o castelo de São-Ninguém ficava na fronteira com São-Everybody, o povo reclamava que os governantes não davam a devida atenção aos conterrâneos, apenas usufruindo das belezas do outro reino.

O Príncipe sapo, santo senhor, era casado a muitos e muitos anos com a Princesa Léia. Este casamento foi fundamental para acalmar os ânimos plebeus em uma revolta armada que aconteceu a 10 anos no reino.

A Lindíssima Léia era o braço direito de Velho Pool Linch, um padre que antes do monastério foi matador de aluguel de São-Everybody e que

foi exilado para São-Ninguém. Impulsionado pela falta de trabalho e comida, Pool liderou um bando de capiais contra o Príncipe sapo, afim de tomar o poder e eleger um novo governante, do povo.

Quando o povo cercava o Castelo de São-Ninguém e o Príncipe Sapo já temia que sua guarda de cachorros não fosse capaz de amassar, destruir, ferir, machucar, assustar, linchar, ferrar, fuder a grande maioria de capiais, suas raposas conselheiras resolveram intervir.

Mandaram um rapazinho de catorze anos falar com os revoltosos. Depois de muito apanhar o rapaz chamado de João plantador de Feijão apanhou muito mais, antes de conseguir trocar uma “prosa” com Velho Pool Linch.

Ficou acertado que Pool, Léia e Rubiam, o mais destemido e poderoso camponês de São-Ninguém iriam conversar com o Príncipe. Rubiam que era um moreno alto de traços bem marcados e braços fortes era o desejo de todas as camponesas, já que, todo e qualquer nobre eram proibido de casar, ou ter qualquer tipo de relacionamento que formal, com um putapobre.

Portanto, Rubiam tornou-se o melhor partido para as plebéias. Aproveitando-se deste aspecto, ele comeu quase todas as menininhas da cidade e de tanto brincar de médico agora já era professor. Porém, e impressionantemente ele se apaixonou pela bela revoltosa Léia..

Ela que desgostosa do tipo de homem que era Rubiam desdenhou por muito tempo dele, mas quando percebeu que Rubiam poderia ganhar muito dinheiro, por ser sempre favorecido diante de sua beleza, resolveu casar-se com o capiau.

Estavam prestes a se casar quando a revolta teve inicio, vendo, ambos, uma oportunidade de casamento melhor, ou não, adiaram para depois da revolta. Na pior das hipóteses casariam como já era previsto.

Enfim...

Quando chegaram ao castelo o Príncipe sapo os recebeu com um grande banquete, dizendo que as sobras poderiam ser levadas para seus companheiros de guerra.

Porém, a fome era tão grande e a consciência tão pequena que disseram somente:

- Oh grande príncipe, sabeis que somos humildes, mas muito honrado e não cometeríamos gafe como está.

Portanto, comeram a noite toda até esquecerem o que haviam ido fazer ali.

Do lado de fora, a multidão aflita começava à arquitetar planos para resgatar seus lideres. E lá dentro Rubiam e Léia espreitavam pelos cantos e faziam das suas “plebeiadas”, coisas pós-vinho. Léia pela primeira vez sentiu um amor verdadeiro por Rubiam, disse-lhes palavras de amor e quis amar por uma eternidade. Adormeceram.

As raposas, que, conselheiras muito astutas, mandaram chamar Pool e lhes falaram sobre o futuro da comitiva. Disseram das idéias que tinham. Construir uma nova Catedral e que procuravam um homem de sabedoria. Além de confidenciar que o Príncipe Sapo, ficara muito impressionado com a estonteante beleza de Léia.

Léia que alheia a tudo isso passara a noite acariciando seu amado Rubiam e lhe beijava a fronte com carinho.

Na manhã seguinte Pool foi confidenciar a Léia suas novas informações enquanto Rubiam roncava bêbado no quarto.

E Toda boa estratégia consiste em apenas desviar atenção.

No dia seguinte, quando a revolta armada de inchada preparava uma tentativa de invasão, Léia e Pool saíram para falar a seus companheiros.

- Oh amigos e amigas – começou Pool – Alegrais vossos corações, uma nova era acaba de nascer – o povo confuso permanecia em silêncio – O Príncipe Sapo acaba de coroar um acordo da mais magnificência e bondade.

- O que aconteceu? – gritou um plebeu assustado.

- Vosso senhor – continuou solene – Enamorado da plebéia Léia resolveu que – respirou fundo e disse profuso – Ira casar com nossa querida e bondosa companheira e – enfatizou – pobre.

O povo sem saber se festejava e o que festejar fez grande murmurinho de apreensão, até um senhor de idade gritar:

- Então Léia vai virar rainha e nós vamos continuar na merda?

- Mas é claro que não – o tom de Pool era de absoluta ofensa – Além disto, para que o casamento se realize, uma Catedral será erguida e eu que já fui padre serei reerguido a meu posto e então realizarei o casamento entre a nobreza e o povo.

Agora sim o povo explodiu em alegrias e salvas de palmas, a união entre uma plebéia e um nobre era o fim de um paradigma cruel, muitas das camponesas que serviam de amantes para nobres poderiam ser erguidas a nobreza local. Porém a festa durou apenas o suficiente para o velho voltar a gritar:

- Então Léia ira se tornar princesa, você padre, prior, cardeal, sei lá...e nós ficaremos na merda? – O povo concordou e o murmurinho agora de indignação foi bem mais alto.

- Mas é claro que não – repetiu Pool confiante – A Catedral terá de ser construída por alguém não é? – as pessoas captaram a mensagem a balançavam a cabeça em aprovação – Famílias inteiras serão contratas, haverá trabalho para todos – continuava Pool – Não só pedreiros, mas tabernas para preparar os hidromel e mulheres para fazerem a comida, será a nova revolução popular.

O Povo que eufórico cantarolava e explodia em alegrias, agora, gritava em louvor de Padre Pool, Princesa Léia e do Príncipe Sapo. Foram poucos porém a lembrar do destemido Rubiam.

- Atenção senhores e senhoras – disse uma vez mais Pool – Contra essa nova fortuita aventura, ainda há um ultimo obstáculo – falou – Dentre todos estes benefícios apresentados por vossa majestade, um único ser é contra a resplandecência de uma nação de irmãos, para dar vazão ao seu ego egoísta e misantropo.

- Matem-no então – gritou um grupo de jovens em êxtase.

- Sim, faremos então como manda o povo – disse – executaremos amanhã o bastardo Rubiam.

Mesmo que alegres pela graça conquistada o povo se comprazia com Rubiam e parou para escutar: - Mas o que ele fez Santo Pool?

- Não aceitou o acordo e disse que queria ser Rei para governar não para nós como faz o Príncipe Sapo, mas para ele e sua família medíocre – a plebe balançou a cabeça negativamente.

- Léia não era noiva dele? – gritou um homem.

- Sim, mas foi somente depois de Rubiam rejeitar está boa mulher que Príncipe Sapo resolveu casar-se-á com ela. – silêncio – Rubiam disse, com estás palavras – Pool respirou fundo antes de completar com ênfase e voz grave – Jamais me casaria com uma porca plebéia, agora que posso ser nobre, jamais tocarei novamente naquele povo imundo.

Xingamentos de todos os lados.

- E foi somente por isto que o Príncipe sapo, sob sua mais pura candura, não cedeu à coroa a um plebeu – um grande ah! De admiração se seguiu – Pois ele não seria um bom governante. E hoje posso afirmar como disse um bondoso ser no passado. Há de ser povo para entender um príncipe e há de ser príncipe para entender um povo.

O povo explodiu em salvas e alegria, entre pedidos de mortes e fanfarra de vida.

Uma semana depois Rubiam foi posto na forca e quem lhe abriu o cadafalso foi Léia. Rubiam disse:

- Oh Léia, não me mate, agora que vais se tornar Princesa, não me mate, amo-te tanto, porque faz isto comigo?

Léia que era rios de lagrimas lhe falou antes de puxar a alavanca fatal:

- Não farias diferente Rubiam, amo-te demais, mas este amor é novo e não enche barriga.

- Mas eu poderia cuidar-te e alimentar-se, poderia eu encher tua barriga.

- Mas não meu ego – e puxou abrindo sobre os pés de Rubiam a morte. Depois disto, Léia nunca mais lembrou sequer de Rubiam.

Um mês depois Léia foi coroada princesa de São-Ninguém.

Dois meses depois a construção da Catedral começou e Pool recrutou criteriosamente um membro de cada família para trabalhar na pequena obra. Assim, todas as famílias continuavam miseráveis, mas reféns da coroa pois, a única fonte de renda delas vinha do miserável salário pago pelo rei.

E sempre que os populares ensaiavam uma nova revolta, o rei demitia seu familiar da obra, deixando assim a família na miséria. Com este sistema de governo o Príncipe sapo foi feliz para sempre, até o próximo problema.

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